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19.5.14

SUICÍDIO E SOCIEDADE


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Suicídio e sociedade
  
 
Gregorio Vivanco Lopes 
 
 


           Um amigo contou-me que uma colega sua de trabalho, moça bonita, bem apessoada, por volta de 30 anos, casada, com um filhinho de poucos meses, foi acometida de uma doença que a deixou inchada, sobretudo o rosto, que ficou avermelhado e com protuberâncias.
Entrou numa depressão que a levou a atirar-se de um andar alto do edifício onde morava, morrendo instantaneamente.
Não conheci essa moça, mas o fato me impressionou e passei a refletir sobre ele. Quantos suicídios vão ocorrendo nos dias de hoje!
Mais de um milhão de pessoas cometem suicídio a cada ano no mundo. Trata-se de uma das principais causas de morte entre adolescentes e adultos com menos de 35 anos de idade.(1) Projeções da Organização Mundial de Saude, com base em tendências do final do século XX, indicam que em 2020 haverá cerca de 1,53 milhão de suicídios; sendo que 10 a 20 vezes mais pessoas tentarão suicidar-se em todo o mundo.(2)
No Brasil, estimativas sugerem que ocorram 24 suicídios por dia, mas o número deve ser 20% maior, pois muitos casos não são registrados. A quantidade de tentativas é de dez a 20 vezes mais alta que a de mortes. Entre os jovens, a taxa multiplicou-se por dez de 1980 a 2000: de 0,4 para 4.(3)
Normalmente é na juventude que a pessoa tem mais desejo de viver, tem planos, tem empreendimentos a realizar, tem ilusões. Por que pôr fim à vida? Por que essa falta de coragem de enfrentar as adversidades?
Os estudiosos de modo geral atribuem essa calamidade ao fato de que a sociedade moderna é de molde a tornar as pessoas muito egoístas, cada um por si, faltando compreensão e apoio a quem dele precisa. Aprofundemos.
O Antigo Regime, como era designada a sociedade anterior à Revolução Francesa, tinha uma concepção profundamente familiar da sociedade. Os indivíduos existiam dentro das famílias. É ali que eles se formavam para a vida quando crianças, recebiam os estímulos para um desenvolvimento reto da personalidade quando jovens, apoio quando adultos e proteção quando as cãs lhes cobriam as cabeças e as forças diminuíam. Na família eles eram compreendidos e amados durante toda a sua existência e amparados pela religião.
         Com a Revolução Francesa veio a era moderna, com seu individualismo e suas liberdades. Progressivamente foram sendo implantados o divórcio, o aborto, as leis permissivas de todo gênero. A família monogâmica e indissolúvel implodiu e cada um de seus elementos foi jogado para um lado. Crianças, para as creches; jovens, para os pseudo-prazeres da sexualidade, do rock, do funk, da droga; adultos, para a disputa acirrada pela subsistência; velhos, para os asilos.
Como estranhar que o número de suicídios cresça assustadoramente?
Notas:
3.     Julliane Silveira, in Folha de S. Paulo, 18-3-2010
(*) Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM
  
 

 
 
 
Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)

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