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23.8.09

Desordem de Identidade de Gênero e Tendências da Mídia Hoje

Por David Daleiden


A História de Bobby

Para um observador eventual, "Bobby" tem a aparência de um saudável menino de 6 anos. Ele tem grandes olhos brilhantes, fala rápido e de forma enérgica e faz comentários precoces do mundo a sua volta. Os professores dizem que ele é muito criativo e quase sempre se comporta de modo perfeito. Assim, muitos podem se surpreender ao saber que a professora chamou os pais de Bobby para uma conversa particular sobre o recente problema que tiveram com ele na escola. A professora conta como Bobby, geralmente tão bom menino, se tornou intratável durante qualquer atividade de gênero na sala de aula. Quando a turma se divide em meninos e meninas, Bobby insiste em ficar com as meninas. Ele tenta usar o banheiro delas no recreio e, muitas vezes, tem vindo de ‘saia’ para a escola – aparentemente um lençol trazido de casa em sua mochila.
A mãe de Bobby reconhece, em lágrimas, que o filho tem agido assim em casa. Com frequência pergunta por que tem que viver como um menino e se recusa a brincar com outro brinquedo que não sejam Barbies e as roupas da mãe. Ele dá incríveis acessos de raiva se alguma dessas coisas lhe é negada. A professora assegura aos pais que não há nada de ‘errado’ com Bobby , que ele é uma ‘criança transgênera”. O comportamento oposto ao gênero dele é ‘uma variação humana normal’, diz a professora, e logo que a família aceite e afirme o transgenerismo de Bobby, o comportamento na escola e a tensão em casa cessarão. A professora fala com aprovação da nova droga ‘bloqueadora da puberdade’ que Bobby tem que tomar por alguns anos para prevenir a futura masculinização de seu corpo. Quanto tiver 18 anos, ele estará apto à cirurgia para mudança completa de sexo, finalizando a ‘transição’ para a sua verdadeira identidade feminina.

A Luta pelas Crianças com Desordem de Identidade de Gênero (DIG)

A cena descrita acima, tão bizarra quanto possa parecer, reflete não só uma tendência nova e perturbadora, mas também o alvo de alguns pediatras e defensores da infância para crianças que apresentam confusão da identidade de gênero. Os ativistas pró-transgêneros e seus aliados da área médica estão no meio de uma agressiva campanha publicitária para normalizar a DIG infantil. Desde o último ano, seguindo uma história de Barbara Walters
[1] no seu programa 20/20, tem crescido a cobertura da mídia de repercussão sobre histórias de crianças com essa desordem, frequentemente apoiando e encorajando a mudança de identidade como a solução para o transtorno de gênero em crianças pequenas. Stephanie Guinan, Trans-Coordenadora da organização pró-gay americana PFLAG (pais, famílias e amigos de gays, lésbicas e transgêneros) escreveu em um artigo para o programa 20/20 que “O único recurso para essas crianças é se vestirem como se identificam e esperar que ninguém se lembre o que elas têm de fato por baixo das roupas".

A edição de novembro de 2008 da revista americana The Atlantic incluiu um artigo de 5 páginas que culminou no episódio de 13 de janeiro no programa do Dr. Phil
[2]. À exceção parcial do episódio do programa do Dr. Phil, que teve como convidados o Dr. Joseph Nicolosi, ex-Presidente da NARTH (Associação para Pesquisa e Terapia da Homossexualidade) e o pesquisador Glenn Stanton, a abordagem da luta por crianças com Desordem de Identidade de Gênero tem sido ensurdecedoramente de mão única. Ao mesmo tempo em que cita uma breve colocação do Dr. Kenneth Zucker sobre os malefícios do tratamento de mudança de sexo, o artigo “A Vida de um Menino” ("A Boy's Life") da Revista Atlantic dedica pouco espaço para a exposição convincente de suas teorias e práticas, parecendo mais preocupado com visões demagógicas de um contraponto vago do que com adotar uma verdadeira discussão de idéias. Enquanto isso, em vez de ser mostrada como uma reunião ideológica e política como o próprio site revela ser, a ‘Conferência Trans-Saúde’ – pró-mudança de sexo – é apresentada como a mais recente e esclarecedora reunião de pesquisadores e profissionais médicos.

O Dr. Nicolosi comenta no site da NARTH que, enquanto ele e Glenn Stanton eram tratados com gentileza pelo Dr. Phil, a descrição cuidadosa que fez da importância da abordagem da criança com DIG com a terapia reparativa foi cortada na edição final do programa. Segundo profissionais como Zucker, Nicolosi e até mesmo pesquisadores pró-transgêneros como Dan Siegel, essa abordagem é primordial para entender tanto o desenvolvimento saudável da criança como a intervenção terapêutica eficiente. Terapeutas como Zucker e Nicolosi nos lembram que os fatores psicológicos envolvidos nas causas (etiologia) do DIG em crianças estão quase ocultos – o modelo da família “triádica-narcísica” proposto por Nicolosi e a experiência do caótico “ruído familiar” citado por Zucker, descrevem as mesmas dinâmicas familiares básicas que criam a Desordem de Identidade de Gênero em meninos pequenos. Quase sempre de temperamento sensível, experimentam uma ligação confusa e sufocante com a mãe – geralmente dominadora –, enquanto o pai se mantém física ou emocionalmente ausente e afastado.

Décadas de experiência clínica e ainda um significativo volume quase desconhecido de pesquisas publicadas confirmam esse modelo como típico. Até pesquisadores pró-transgênero como o Dr. Heino F.L. Meyer-Bahlburg, professor de psicologia clínica da Universidade de Columbia e membro do Comitê da Associação Mundial de Profissionais para a Saúde de Transgêneros, comenta a dinâmica familiar de meninos com DIG: “O menino com DIG é particularmente muito próximo da mãe ou outra mulher, como uma avó, irmã adolescente, babá ou vizinha. O pai pode estar junto a outra criança ou pode estar completamente à margem da vida familiar”.

Logo, esse é o problema principal em se usar bloqueadores da puberdade ou operações de mudança de sexo em uma criança com Desordem de Identidade de Gênero: eles não tratam as causas da Desordem; então, nunca poderão ser soluções eficientes de verdade. Ao contrário, procedimentos invasivos e intensivos para induzir à ilusão de que um garoto com DIG é mesmo “uma menina presa no corpo de um menino” serve somente para aliviar a consciência de pais de famílias disfuncionais ao fazerem vista grossa a suas patologias adjacentes, resultando na vitimização de seus filhos. O Dr. Zucker comentou em 2003, no jornal americano de psiquiatria (Psychiatric News):

"Considere, por exemplo, uma menina de 3 anos que afirma repetidamente ser um menino ou que quer ser menino. Os pais rebatem dizendo que ela é menina e a reação da criança é chorar e insistir. A interpretação de Hill é que tal tensão é meramente o resultado da reação dos pais, e não uma provável luta da criança com um sentimento complexo. Com certeza, se os pais concordassem com a fantasia da criança de que ela é um menino, não haveria tensão declarada, mas também não resolveria o problema adjacente, podendo simplesmente reforçá-lo”.

A visão dos que alegam que a criança com Desordem de Identidade é uma ‘variação’ do comportamento humano e rotulam essas crianças com uma identidade inflexível de “transgêneros” poderia ser vista como extremamente negligente. Tal perspectiva não vê essas crianças como seres emocional e psicologicamente complexos, mas como indivíduos com um problema de encanamento a ser corrigido com hormônios e cirurgia. Uma criança com DIG não precisa de mudança de sexo ou de uma saia para esconder seu “complexo estado de sentimentos” por baixo da roupa; o que essa criança de fato precisa é de aconselhamento. Se um menino como o "Bobby" da história que inicia este artigo for drogado com bloqueadores de puberdade, ele continuará um menino drogado com bloqueadores de puberdade em um ambiente familiar disfuncional.

A pesquisa de Susan Coates descobriu que 53% das mães de meninos com DIG se encaixam no diagnóstico clínico de Desordem de Personalidade (Borderline) ou mostram sintomas depressivos. Tais dados são quase que esperados em um modelo psicodinâmico de desenvolvimento da Desordem de Gênero, mas a normalização dessa desordem tem o perigoso potencial de ignorar esses fatores e perpetuar o trauma psicológico. É claro que os ativistas transgêneros muitas vezes parecem proclamar que o afastamento entre pai e filho é devido à própria desordem do menino, e não ao contrário – bem como talvez eles pudessem defender descaradamente uma abordagem do tipo “culpe a criança” no caso de mães com Desordem de Personalidade.

Temas mais amplos

O antigo credo da medicina, nas palavras de Hipócrates, é “não causar danos”. Até a época moderna, a prática terapêutica tem reconhecido sempre sua tarefa de servir à natureza humana, sem trabalhar contra ela, não tentar ‘melhorá-la’ e nunca destruí-la. A desconstrução das categorias sexuais de macho e fêmea, essenciais à natureza humana e vitais para a transmissão dessa natureza, nunca produzirá um resultado sustentável. O Dr. Paul McHugh, psiquiatra-diretor do Hospital John Hopkins, fala do que ele tem testemunhado dessas tendências destrutivas: “Nós temos desperdiçado recursos científicos e técnicos e prejudicado nossa credibilidade profissional ao colaborar com essas loucuras em vez de tentar estudar, tratar e prevenir isso”.

As crianças hoje diagnosticadas com DIG constituem uma nova geração que ou florescerá com intervenções saudáveis que respeitem a integridade da pessoa humana, ou perecerá com ‘tratamentos’ autodestrutivos que atacam a imagem de indivíduos de um gênero que naturalmente nasceram para ter. Que nunca nos envergonhemos de defender a masculinidade ou a feminilidade, que é um direito de nascença dessas crianças; que nunca tenhamos medo de dizer a verdade.


(Esse informe especial para a Narth – Associação para Pesquisa e Terapia da Homossexualidade – é um parecer do autor sobre as tendências atuais da mídia. Mesmo se não expressar necessariamente o ponto de vista oficial da NARTH ou de todos os nossos membros, é uma contribuição relevante na importante discussão dos assuntos sobre a Desordem Infantil de Identidade de Gênero. NARTH © 2009)

Fonte:www.narth.com
Narth Bulletin – 03/2009
Tradução autorizada: Lourdes Dias
[1] Barbara Walters é conheida pelos anos em que trabalhou no programa de notícias 20/20, junto com o apresentador Hugh Downs, desde 1979.
[2] Programa de grande repercussão nos EUA

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